A dignidade humana na era da inteligência artificial à luz da Magnifica Humanitas
DOI:
https://doi.org/10.36592/opiniaofilosofica.2026.v17.1374Palavras-chave:
Dignidade Humana, Inteligência Artificial, Paradigma TecnocráticoResumo
Este artigo investiga de que modo os fundamentos filosóficos e teológicos da dignidade humana podem orientar o discernimento ético da inteligência artificial, especialmente à luz da encíclica Magnifica Humanitas. Adota-se uma abordagem bibliográfica, hermenêutica e teológico-crítica, em diálogo com a tradição personalista, a fenomenologia da alteridade, a filosofia da técnica, a ética da responsabilidade e os debates sobre transumanismo e pós-humanismo. A análise sustenta que a dignidade não decorre de desempenho, autonomia funcional, capacidade cognitiva ou utilidade social, mas do valor ontológico da pessoa, compreendida como ser corporal, relacional, livre, vulnerável e aberto à transcendência. Examina-se o paradigma tecnocrático, no qual eficiência, cálculo, previsibilidade e otimização tendem a converter-se em critérios normativos da vida social, favorecendo a redução algorítmica da pessoa a dados, perfis e padrões comportamentais. Discute-se também a diferença entre inteligência humana e desempenho computacional, bem como os riscos da opacidade, da concentração de poder, da simulação relacional e do aprimoramento desigual. Conclui-se que a Encarnação, a comunhão trinitária e a dignidade ontológica oferecem critérios para uma governança tecnológica orientada ao bem comum, à justiça, à responsabilidade, ao cuidado e à proteção dos vulneráveis, sem rejeitar os benefícios da ciência, da medicina, da acessibilidade e da inovação técnica.
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