A gênese neopositivista do axioma antimetafísico da filosofia da mente
DOI:
https://doi.org/10.36592/opiniaofilosofica.2025.v16.1247Palavras-chave:
filosofia da mente, neopositivismo, antimetafísica, identidade mente-cérebroResumo
A hipótese apresentada é a de que a filosofia da mente foi concebida no mesmo contexto de surgimento do Círculo de Viena, de modo que ela nasce e permanece até hoje marcada por um axioma antimetafísico subjacente, qual seja: é a ciência que responderá de modo definitivo ao problema da mente. Por mais antagônicos que tenham sido os posicionamentos adotados ao longo de décadas de discussão – teoria da identidade mente-cérebro, teoria da inexistência da mente, funcionalismo, interacionismo, monismo anômalo, naturalismo biológico, enativismo, eliminativismo, dualismo naturalista –, o debate em filosofia da mente se mostra condicionado por este axioma. Nos três primeiros pontos do artigo, propomos uma análise sobre como Schlick, Carnap e Feigl solidificaram a afirmação de que o problema da mente há de ser respondido estritamente pela ciência. Nosso objetivo com essa análise é mostrar que, por trás das suas perspectivas específicas sobre a teoria da identidade mente-cérebro, existe uma intenção (de reduzir o problema da mente à ciência), que lhes é comum. Não se trata de uma intenção suposta, por inferência ou outra estratégia de interpretação, mas de uma intenção afirmada de maneira explícita sob a forma de um axioma fundamental. No quarto ponto, através de exemplos selecionados, procuramos confirmar a hipótese formulada, mostrando como o axioma neopositivista se tornou uma espécie de verdade indeclinável para o que se denomina philosophy of mind.
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